Robotização na Foxconn

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No final de Julho de 2011 fui surpreendido por uma notícia que revelava que a Foxconn (empresa que fabrica a maior parte dos produtos da Apple, Nintendo e de outras empresas de electrónica de consumo), iria substitui alguns dos seus trabalhadores investindo em 1 milhão de robots no prazo de 3 anos.

Na altura, achei que o conteúdo da noticia fazia todo o sentido tendo em conta os problemas relacionados com a rotatividade de trabalhadores, aumento de custos de mão de obra e principalmente com o escândalo dos suicídios de trabalhadores da empresa.

Como parte da minha actividade era precisamente a instalação de robots e integração dos mesmos em sistemas produtivos, resolvi fazer umas contas. O número de horas de engenharia necessários para desenvolver, integrar e validar um sistema robotizado numa linha de produção depende da complexidade do mesmo. Da minha experiência serão necessárias entre 160 a 600 horas por cada sistema novo. Uma segunda instalação igual à primeira poderá em média necessitar de apenas de metade o número de horas da primeira.

Assumindo que, as instalações que a Foxconn pretendia efetuar seriam simples (160 horas por instalação) então a empresa necessitaria de investir (diretamente ou através de subfornecedores) em 160.000.000 horas de engenharia durante os 3 anos. Ou seja, a empresa necessitaria de quase 28.000 engenheiros para cumprir o seu objectivo!

Em Fevereiro de 2015, é publicada uma notícia que revelava que a Foxconn continuava a apostar em robótica e automação, que tinha projetos de investigação em curso nesta área e que inclusivamente tinha uma fábrica em Chengdu (China) totalmente automática a funcionar 24 horas por dia de luzes apagadas. Revelava ainda que tinha instalado cerca de 30.000 robots por ano os últimos anos. Ou seja, teria usado direta ou indiretamente 2.500 engenheiros (de acordo com a minha estimativa).

Não tenho dados que indiquem quais os motivos que levaram a Foxconn a reduzir o seu investimento em robótica em mais de 10 vezes mas suspeito que pelo menos a disponibilidade e os custos dos 28.000 engenheiros terá ajudado nessa redução.

Na vossa opinião o que terá acontecido na Foxconn que a obrigou a reduzir o investimento em mais de 10 vezes? Nas vossas empresas já se depararam certamente com problemas semelhantes. O que acham que poderemos fazer para os ultrapassar?

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